quinta-feira, 11 de abril de 2013

Janela para o coração.



Dentro do trem, sentada e olhando pela janela há uma menina. Ou será uma mulher? Não faz diferença, pois ali ela se perde em pensamentos. Neste momento ela observa as nuvens.

"Criaturas estranhas, as nuvens." É o que se passa pela sua cabeça.

Apesar de o céu estar encoberto por nuvens que teimam em esconder um lindo tom de azul, sempre há uma rebelde. Uma que se recusa a ser o que as outras são e a fazer o que as outras fazem. Essa nuvem é pequena e dispersa. Alguns a chamariam de insignificante. Mas a menina tinha outro nome. Chamaria de especial, essa rebelde sonhadora. Uma criatura pequena e rala que, justamente por parecer insignificante é que era importante. Essa nuvem rebelde deixava à mostra um pedacinho de céu azul.

Foi esse pedacinho que tanto fascinou a menina. Tal descoberta tinha de ser compartilhada. Do mesmo jeito que cientistas publicam suas descobertas científicas em importantes periódicos científicos ela queria compartilhar sua informação. Mas da forma mais simples, como uma criança chama sua mãe. Então, suavemente, ela cutucou a moça ao seu lado. A mulher se virou e, enquanto a menina contava sua história, seu olhar se tornava cada vez mais surpreso e ao fim, ela abriu um sorriso, agradeceu a informação e se virou. Ainda sorrindo e certa de que uma informação daquelas deveria ser compartilhada, a moça cutucou o senhor a sua frente e lhe contou a história. O homem agradeceu sorrindo e assim, logo todos no trem estavam sorrindo e tudo graças à menina. Não. Tudo graças à pequena nuvem rebelde.

No entanto a realidade é dura, e muitas vezes sem cor. Na mente da menina, as pessoas sorriam e agradeciam umas às outras.

Mas na realidade as pessoas eram frias, fechadas e egoístas. Por isso quando a menina suavemente cutucou a moça ao seu lado e lhe contou sua história, o olhar de surpresa estava lá, mas estava também o aborrecimento e enfadonho sentimento de exaustão. A mulher sentia-se exausta por ter trabalhado o dia todo e ao invés de se alegrar com uma história bonita, estava exausta por ter que aturar uma menina que só sabia sonhar. "Que sabe ela da realidade" Pensou. "Não sabe de nada."

Mas a menina conhecia a realidade muito bem. Sabia como o mundo podia ser hostil e por isso reservava só para ela um cantinho na sua mente. Uma menina com mente de adulta, uma adulta com mente de criança. Não importa. A imaginação continua a mesma desde que a alma permaneça viva. E é por essa razão que, apesar de não conseguir fazer outra pessoa sorrir, ela se permitiu sorrir e rir do seu fracasso tanto quanto pudesse. Afinal sua mente poderia criar a partir da situação embaraçosa quantas cenas engraçadas quisesse, pois ela era dona do seu próprio mundo.

Com um último sorriso ela fitou a pequena nuvem e por através dela, o céu azul, mergulhando no azul daqueles olhos que espreitavam direto ao seu coração, quando enfim o trem deixou a estação.

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